RESÍDUOS SÓLIDOS – IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS

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Lixo é qualquer resíduo sólido produzido pelo homem, como garrafas, sacos plásticos, embalagens, baterias, pilhas e até restos de comida. Além de causarem a poluição visual e mau cheiro, esses resíduos poluem a água, o solo e colocam os animais em risco, já que eles podem se ferir em materiais cortantes ou mesmo ingerir os materiais descartados de forma indevida na natureza.

Um dos principais problemas encontrados nas cidades, especialmente nas metrópoles é o resíduo sólido, resultado de uma sociedade que a cada dia consome mais.
Esse processo decorre do acúmulo de resíduo que nem sempre possui um lugar e um tratamento adequado. Isso tende a aumentar, uma vez que a população aumenta e gera elevação no consumo, e consumo significa geração de mais lixo.

 

Para ter uma noção mais ampla do problema tomemos a cidade de São Paulo como exemplo: em média cada pessoa produz diariamente entre 800 g a 1 kg de lixo, ou de 4 a 6 litros, por dia são gerados 15.000 toneladas de resíduos, isso corresponde a 3.750 caminhões carregados diariamente. Em um ano esses caminhões enfileirados cobririam o trajeto entre a cidade de São Paulo e Nova Iorque, ida e volta.

 

A questão do lixo está diretamente ligada ao modelo de desenvolvimento que vivemos, vinculada ao incentivo do consumo, pois muitas vezes adquirimos coisas que não são necessárias, e tudo que consumimos produz impacto. Há aproximadamente 40 anos, a quantidade de lixo gerada era muito inferior à atual. Hoje a população aumentou, a globalização se encontra em um estágio avançado, além disso, as inovações tecnológicas no seguimento dos meios de comunicação (rádio, televisão, internet, celular etc.) facilitaram a dispersão de mercadorias em nível mundial.

Antes da Primeira Revolução Industrial o lixo produzido nas residências era composto basicamente de matéria orgânica, dessa forma era fácil eliminá-los, bastava enterrar, além disso, as cidades eram menores e o número da população restrita.

Mais tarde, na segunda metade do século XX, com o avanço da industrialização, acelerado aumento da população e dos centros urbanos, houve um aumento significativo na quantidade de lixo gerado e variedades em suas composições. Atualmente quando compramos algo no supermercado o lixo não é apenas gerado pelo produto em si, pois existe a etapa de produção (cultivo, extração de minérios, transporte, energia) e depois para o consumidor final tem a sacola e o cupom fiscal. A isso chamamos de geração de resíduos na cadeia produtiva.

 

Nas cidades que contam com serviços de coleta do lixo, o armazenamento é realizado de duas formas: os lixões nos quais os dejetos ficam expostos a céu aberto e os aterros sanitários onde o lixo é enterrado e compactado.

É comum em bairros não assistidos pelo serviço de coleta de lixo, que o depósito dos resíduos seja feito em locais impróprios, como encostas, rios e córregos. A população desses bairros negligencia os sérios danos que tais ações podem causar à biodiversidade e ao homem, como a dispersão de insetos e pequenos animais (moscas, baratas, ratos), hospedeiros de doenças como dengue e leptospirose.

 

O lixo acumulado produz um líquido denominado chorume, esse possui coloração escura com cheiro desagradável, a substância gerada atinge o lençol freático, contaminando o solo e água. Além disso, o descarte inadequado do lixo provoca deslizamentos de encostas, assoreamento de mananciais, enchentes e estrago na paisagem. Os lixões retratam além dos problemas ambientais, os sociais, a parcela da sociedade excluída que busca nesses locais materiais para vender (papéis, plásticos, latas entre outros), às vezes as pessoas buscam também alimentos, ou melhor, restos para o seu consumo, muitas vezes estragados e contaminados, o que representa um grave problema social.

 

Em 02 de agosto de 2010 foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos, através da Lei Nº 12.305, a qual propõe a prática do consumo consciente e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e o descarte adequado dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado). A Lei institui a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos em toda a cadeia produtiva (desde a fabricação até o pós consumo) e cria metas importantes que visam contribuir para a eliminação do lixões  em todo o país.